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 A História Real do Mangá

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Mega Silver

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MensagemAssunto: A História Real do Mangá   Qui Fev 24, 2011 4:58 pm

Pinturas de género Satírico e Humorístico podem ser observadas no tempo no Japão desde o século doze. O artista do principio do século dezenove Hokusai era particularmente hábil na produção deste tipo de trabalho.
Com o estabelecimento de um estado moderno em 1868, o Japão também assistiu ao desenvolvimento das mídias de massa modernos incluindo jornais e revistas que continham Mangás.
Porém, o avanço mais significativo nesta forma de arte deu-se depois da segunda Guerra Mundial.
Assim, o Mangá que conhecemos hoje é na realidade Mangá após Guerra. Ele têm uma história de meio século.

O Mangá contemporâneo têm as suas origens num gênio singular - aquele de Osamu Tezuka. Em 1974 Tezuka pegou na obra de Louis Stevenson: A Ilha do Tesouro - como inspiração para uma versão em Manga intitulada: A Nova Ilha do Tesouro - publicada no formato de livro.
Apesar da condição econômica miserável do pós-Guerra e a quase dissipação da Industria Editorial, este trabalho tornou-se num sucesso imediatamente, vendendo 400,000 copias.
Tezuka era então um jovem estudante de medicina com nos seus dezenove anos.
A Nova Ilha do Tesouro continha as sementes de uma nova sintaxe para os Mangás e teve um enorme impacto na nova geração de artistas de Mangá.
O próprio Tezuka continuou a produzir Manga até á sua morte em 1989, tendo sido autor de trabalhos tão populares como o Astro Boy.

A década a seguir á guerra viu a emergência de um vasto numero de artistas após Tezuka, criando um verdadeiro Boom de Mangá.
De qualquer forma, o Mangá era ainda identificado como um género para crianças. Aqueles que cresceram lendo Mangá não foram capazes de deixar o hábito depois de terem atingido a maturidade.
Esta era a geração pós-guerra , a geração Mangá.
Na sua estima pelo mangá, os membros desta geração vieram a experimentar uma quebra irreparável com os seus antecessores. Nos finais dos anos 60 a geração Mangá tinha se tornado de estudantes, universitários e o Mangá contemporâneo chegava agora a um ponto crucial de transformação.
A esta altura começou a surgir Mangá que satisfizesse a as exigências de entretenimento/arte dos estudantes universitários. O ascendente movimento dos estudantes abraçaram esta nova mídia emergente e no processo, o Mangá Japonês tornou-se o Mangá moderno de hoje.

Na década de 1980 a técnicas de Mangá começaram a revelar um maior nível de sofisticação e as revistas de adquiriram um fôlego e diversidade que mantêm ainda hoje.
Os Mangás dos nossos dias emergiu como um mídia visual virtualmente onipotente, abrangendo formas de entretenimento desde livros de piadas até melodramas e Ficção cientifica, trabalhos literários desde romances até á narração de viagens, e manuais para propósitos educacionais e didáticos.
Como tal, eles vieram a ser apreciados por pessoas de todos os géneros e vivências.

Os Mangas Japoneses são distintos dos seus correspondentes Ocidentais nas seguintes caracteristicas:

* Predominância da Produção em Massa dos Periódicos

É muitíssimo raro no Japão um Manga ser escrito para publicação no formato livro. Por regra geral eles são, numa primeira fase, publicados por capítulos periódicos de vinte a vinte e três páginas e subsequentemente compilados num livro(Tanko Hon).
Devido a serem originalmente publicados em revistas, eles tendem a serem a preto e branco. Os trabalhos mais populares podem ser produzidos em massa por vários anos que posteriormente são relançados em dúzias de volumes em livros.

* A Divisão do Publico Alvo por Idade e Sexo

O Manga Japonês pode ser dividido nas seguintes categorias dependendo da idade do publico alvo da revista em que eles aparecem:

A primeira categoria inclui as revistas infantis (Yonenshi), revistas de adolescentes (Shonensi), e revistas para "jovens" (Yangushi, também conhecidas como Seinnenshi) que atraem leitores nos seus últimos anos de adolescência até aos leitores com 29 anos, mais ou menos.

O segundo grupo inclui revistas para adultos (conhecidas como Seinenshi, a que seinen refere-se a adultos mais que a jovens, ou Otonashi) que são intencionadas para uma audiência madura sem um limite de idade.

O Manga destinado a mulheres são consequentemente divididas por idade em Manga para jovens-senhoras ou meninas (Shojoshi) e mangás de "Senhoras" ( conhecidas de acordo com a pronunciação Japonesa do Inglês "Ladies" ou "Redizu"). O Manga destinados ao sexo feminino são marcadas pela sofisticação da descrição de personagens e uma gramática e sintaxe mais coloquial.

* Sofisticação Narrativa

A chamada Sutoirii-man, ou Manga Narrativa, está muito mais desenvolvido no Japão que as Comics ou Bandas Desenhadas, alcançando um nível de sofisticação que frequentemente justifica a comparação com o cinema.
Enquanto o principal elemento de composição no cinema é o corte (ou articulação), no Mangá esta função é desempenhada pela vinheta, ou Koma. A sintaxe da composição da Koma é muitíssimo sofisticado, tornando possível uma visualização da narrativa de forma fluida. Enquanto a narrativa da HQ ocidental tende a ser mais orientada para o tema, a Sutourii-man Japonesa privilegia o desenvolvimento de personagens.
No Mangá Japonês o tema torna-se aparente através das palavras e atos dos personagens de tal forma que o leitor envolve-se com o tema através do processo psicológico de identificação com os protagonistas. É o sucesso deste método que é responsável pela extraordinária popularidade dos Mangás.

*Termos

A HQ no Japão é referida como Mangá. Um certo complexo de inferioridade com o Ocidente resultou numa tendência entre muitas editoras para a utilização do termo Komikku, a versão japonesa para o Inglês "comic". Mas, este termo não é vulgarmente usado pelos leitores no Japão, que de uma forma geral usam o Japonês, Mangá.
Embora usualmente empregado na escrita fonética Japonesa conhecida como Katakana, a palavra é na verdade composta de dois Ideógrafos Chineses que significam "imagens" "divertidas/brincalhonas" (ou "caprichosas") e originalmente referidas como imagens satíricas ou inteligentes. Mas, o dramático desenvolvimento do Mangá moderno que começou nos últimos anos da década de 60 trouxe uma expansão nos temas para além da sátira ou comédia. De forma a conter esta ampla variedade temática é que o termo começou a ser escrito na escrita fonética para evitar as estreitas implicações com os ideogramas Sino-Japoneses. No Ocidente, os Mangás Japoneses são referidos normalmente usando o termo original Japonês escrito em letras Românicas em ordem as distinguí-las como um género único e importante.


Continua...


Última edição por Mega Silver em Sex Maio 27, 2011 3:00 pm, editado 3 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: A História Real do Mangá   Qui Fev 24, 2011 5:06 pm

Muito interessante. Apesar de eu já ter lido boa parte do que está no texto tinha bastante coisa que eu ainda não tinha lido. ^^
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MensagemAssunto: Re: A História Real do Mangá   Qui Fev 24, 2011 6:49 pm

já li alfumas coisas assim tb, é bem legal
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MensagemAssunto: Re: A História Real do Mangá   Qui Fev 24, 2011 8:00 pm

Meu primeiro dia de aula de historia na 7ª serie foi com uma professora otomo purissima viciada em naruto. Ela disse tudo isso pra gent. Tbm meu professor de mangá falou bastante, agent ate fez um trabalho sobre os primeiros mangakas.
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MensagemAssunto: Re: A História Real do Mangá   Qui Fev 24, 2011 10:02 pm

Ainda bem que eu acertei hein?
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MensagemAssunto: Re: A História Real do Mangá   Sab Fev 26, 2011 2:34 pm

vc tem um professor de mangá na escola???
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MensagemAssunto: Re: A História Real do Mangá   Seg Fev 28, 2011 6:54 pm

O Manga hoje floresce nas fundações estabelecidas por Tezuka Osamu. Esta parte irá apresentar essas fundações em termos da técnica expressiva.

Estrangeiros, e particularmente os Leitores Europeus normalmente descrevem a experiência de ler um Manga Japones similar a assistirem a um filme. Esta caracterização andava também nos lábios dos jovens japoneses. Estes que viriam a tornar-se artistas de Manga eles próprios após terem lido A Nova Ilha do Tesouro de Tezuka Osamu no seu lançamento em 1947. O Manga pós-guerra e contemporâneo nasceu com esta primeira obra "cinemática".

Embora, esta caracterização, as imagens de Manga não se movimentam. Então porque será que as pessoas continuam a utilizar esta metáfora cinemática para descrever o Manga Japones?

A primeira surpresa na história para os leitores da A Nova Ilha do Tesouro era a cena em que o jovem protagonista chega de carro ao cais, apressando-se para apanhar o barco antes que partisse.
Nos Mangás anteriores a este uma ou duas vinhetas seriam suficientes para mostrar a cena. Tezuka gastou oito das 180 páginas do seu trabalho par mostrar esta cena.
Isto era diferente ao que os leitores de Manga liam até então. Do plano aproximado da cara do garoto à perspectiva do acento do condutor a deslumbrar da estrada a paisagem costeira era como se o artista tivesse colado frames de um filme diretamente na página.
Esta técnica era muito cinemática e levou á caracterização deste Mangá de "como um filme". Tezuka pode ter-se inspirado no cinema para criar estas técnicas mas de qualquer forma as imagens no Mangá não se movem. Mais Ainda, esta técnica era empregada apenas na abertura e não tinha muito haver com a narrativa principal.
O fato desde trabalho como um todo tivesse impressionado de uma forma cinemática testemunha o enorme impacto do uso das primeiras oito páginas que tinham pouca relevância para o enredo. Esta obra tinha mais do que simplesmente só um enredo. A obra tinha vinhetas cênicas e um desenvolvimento de uma narrativa fluida.

O Manga Narrativo descende de histórias em imagens conhecidas como "emonogatari".
Nestas histórias em imagens o texto subjacente e não as imagens eram a o principal veiculo da narrativa.
No Manga Narrativo são as imagens a sua sucessão e elos entre as vinhetas que contam a história. A sintaxe das vinhetas é de uma importância vital. A Nova Ilha do Tesouro de Tezuka tornou isto muito evidente. O seu aparecimento foi como a usurpação da poesia pela prosa, ou ainda a troca do romance medieval pelo romance moderno. Se esta nova mídia era como filme era para ser contrastado com a tradução japonesa do Kabuki e do Noh.
[imghttp://bdmanga.tripod.com/images3/m002_p.gif[/img]
O europeu veêm o Manga Japones como cinemática porque a sintaxe de vinhetas Europeia está relativamente subdesenvolvida. Enquanto o conteúdo pode ser sofisticado, a técnica têm ainda de alcançar o nível da prosa moderna.

A Emergência do Gekigá e a sua incorporação no Mangá Narrativo.


Obviamente, do ponto de vista do Mangá atual os aspectos técnicos da A Nova Ilha do Tesouro parecem quase primitivos. Porém, Tezuka continuou por mais de quarenta anos na vanguarda do Mangá e foi responsável por muitas inovações técnicas até à sua morte em 1989 (nesse ano deu-se também a morte do Imperador Showa e o fim de uma era com o mesmo nome que começou em 1926 quando da sua ascensão ao trono). É importante notar que Tezuka foi capaz de incorporar as técnicas de um novo género conhecido como gekigá que surgiu nos anos 60 sem render-se completamente a ele.

O gekigá apareceu pela primeira vez em livros produzidos por Bibliotecas nos últimos anos da década de 50. Eles tiveram o Mangá Narrativo de Tezuka como ponto de partida mas desenvolveram outros aspectos.

O trabalho de Tezuka teve uma grande influencia nos jovens artistas após a guerra. Vários deles formaram o Grupo Tokiwaso e tornaram-se artistas profissionais de Manga debaixo da instrução de Tezuka. Para a maioria o seu trabalho era de natureza didático e direccionada os jovens na direcção certa. Diferente, da forma simplista e moralista do Mangá anterior à guerra, a sua obras tinham uma tendência moderna e metropolitana.

Entre os artistas influenciados por Tezuka encontravam-se artistas de quem as obras não eram necessariamente educacionais ou didáticas. Estes artistas escreviam para uma audiência da sua idade no fim da adolescência e produziam impressões realistas da crueldade da sociedade e da vida em geral. Estes trabalhos assentavam completamente nas técnicas da "prosa moderna" que Tezuka tinha sido o pioneiro nas suas explorações.
Devido a estes autores preferirem imagens chocantes (embora comparadas com atualidade elas hoje pareçam fracas) elas foram rejeitadas pelas principais editoras baseadas em Tóquio. Invés, foram publicadas por revistas para empréstimo por editoras em Osaka e Nagoya, ou firmas menores de Tóquio.

Os livros para empréstimo eram publicados para circularem em mais de 30,000 Livrarias Privadas de Empréstimo no seu auge nos anos 50. A grande maioria dos livros disponíveis nelas eram Mangas. Estas livrarias de empréstimo geralmente vendiam doces baratos também e eram estritamente proibidas às crianças das boas famílias. Um certo segmento de jovens autores viu esta rede de livrarias de empréstimo como um espaço ideal para a sua criatividade. Eles intitularam o seu trabalhos de "geki" e "geki-ga" contendo dois significados de "dramático" e "cheio de ação", talvez possamos traduzir o termo melhora como "HQs de ação".

Iniciando-se nos meados dos anos 60 a geração mangá entrava na universidade e exigia um aumento de Mangá de interresse para estudantes universitários e adultos. Isto foi uma grande oportunidade para os artistas das Livrarias de Empréstimo, os artistas gekiga, os quais corriam risco de desaparecerem devido ao eclipse das livrarias de empréstimo fase à propagação da televisão. Eles começaram a produzir trabalhos que abordavam temas até então nunca vistos no mundo Manga centrado na criança - trabalhos de historia, problemas sociais, eventos de informação, e amor.

Sem ser derrubado pela força emergente, o próprio Tezuka começou a produzir ele proprio Mangás que tratavam temáticas historicas e politicas feitas com o toque geki-ga do inicio dos anos 70. Ele não foi, porém, influenciado pelo sensacionalismo e vulgaridade das geki-ga. Quando os leitores cansaram-se das geki-ga as opções de Tezuka provaram ser as melhores.

Hoje não existe uma verdadeira distição entre Manga e as geki-ga. As questões ténicas no seu significado mais artistico - detalhe de gravuras, técnicas de deformação, a rica variadade de vinhetas, e o uso eficiente de linhas de efeito mostram um evolução continua.
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